quinta-feira, 29 de março de 2012

TODOS ÀS MANIFESTAÇÕES PELA INSTALAÇÃO DA COMISSÃO DA VERDADE E APURAÇÃO DOS CRIMES DA DITADURA

ATO POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA
GOLPE E DITADURA NÃO SE COMEMORA!

Concentração às 18h, hoje, na Praça Tiro de Guerra -
Jardim Chapadão, Campinas (ao lado da Escola
de Cadetes, final da Av. Andrade Neves)


Nota Política do PCB

Em várias cidades brasileiras estão sendo realizadas manifestações em repúdio aos setores de direita, civis e militares, que pressionam pela não instalação da Comissão da Verdade, tentando botar de joelhos o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Se conseguirem seu intento, avançarão sobre outras liberdades democráticas, mesmo que limitadas, conquistadas com a Constituinte de 1988.
A pusilanimidade e a conciliação de todos os governos posteriores a essa Constituinte, inclusive os de Lula e Dilma, permitiram que os viúvos da ditadura chegassem à ousadia de desafiar as instituições do estado brasileiro.
Consideramos que é hora de construir uma ampla unidade das forças de esquerda, progressistas e democráticas para garantir, com grandes mobilizações, a instalação e o funcionamento adequado da Comissão da Verdade.
Saudamos as iniciativas do Ministério Público, de parlamentos estaduais e de outras instituições no sentido de também criarem Comissões da Verdade, o que capilariza e fortalece esta luta de caráter democrático, que já foi exitosa em todos os países da América do Sul onde vigoraram ditaduras como a que se abateu sobre nós em 1964.
Saudamos também as iniciativas de organizações juvenis, entre outras a União da Juventude Comunista e o Levante da Juventude que vêm realizando ações combativas contra os criminosos e torturadores da ditadura e que deveriam se articular para potencializá-las.
Mobilizamos nossos militantes e conclamamos amigos e simpatizantes a participarem ativamente dessas justas manifestações e as organizarem nos locais onde iniciativas ainda não foram adotadas.
Mas não podemos deixar de alertar para que estejamos vigilantes em relação à ação de provocadores que certamente procurarão infiltrar-se entre os manifestantes, para tentar justificar a repressão e criar vítimas.
As forças que lutam contra a ofensiva da direita devem levar em conta a necessidade de se unirem e se organizarem para que essas manifestações sejam massivas e vitoriosas.
TODOS ÀS MANIFESTAÇÕES CONTRA A DIREITA FASCISTA!

Partido Comunista BrasileiroComissão Política Nacional – 28 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Autarquização do Complexo de Saúde da UNICAMP

No final do mês de julho de 2009, foi proposta pelo governo do Estado de São Paulo à Universidade Estadual de Campinas a autarquização da área de saúde (Hospital das Clínicas, Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Hemocentro e Gastrocentro) da universidade. Tornar o complexo de saúde da UNICAMP uma autarquia significa desvinculá-lo da universidade e vinculá-lo à Secretaria Estadual de Saúde.
Autarquia, segundo definição jurídica, é uma entidade administrativa autônoma pública criada por lei, com receita e patrimônio próprios, sem fins lucrativos, para executar  atividades             típicas          da                 Administração           Pública,                      que           requeiram              gestão administrativa e financeira descentralizada.  Na prática, a autarquia é uma entidade pública desvinculada da administração direta da prefeitura, estado ou união; ela recebe um orçamento próprio e decide de que maneira deve gastá-lo.
A proposta de desvinculação da área de saúde da Unicamp é amplamente defendida pelos administradores da Faculdade de Ciências Médicas e da Universidade, sendo que a principal argumentação da defesa baseia-se na questão do subfinanciamento da saúde e da contratação de funcionários.
O complexo de saúde da UNICAMP recebe seu financiamento de duas fontes diferentes: a tabela SUS (procedimentos pagos pelo SUS) advém da Secretaria de Saúde e é responsável por 1/3 do capital recebido; os outros 2/3 advém da própria universidade para pagamento de recursos humanos. Afirma-se que a questão do subfinanciamento é bastante preocupante, o que é verdade. O hospital está totalmente precarizado e não consegue desenvolver suas atividades de assistência de maneira, no mínimo, adequada.
Quanto aos funcionários, afirma-se que mais de cem leitos do hospital estão paralisados por falta de  contratação  de  trabalhadores,  que  está  paralisada  devido  a problemas   do  Ministério   Público   com  a  FUNCAMP  (Fundação   de  Apoio  da UNICAMP).
Sabemos, entretanto, que a autarquização não é uma proposta aceitável para a resolução desses problemas por quais vem passando a área de saúde; sabemos, também, que essa proposta não vem isolada, mas sim, em um contexto que se caracteriza por ser conseqüência das políticas privatizantes do Estado brasileiro.
O governo federal encaminhou ao Congresso em julho de 2007 o Projeto de Lei
92/2007, que cria as Fundações Estatais de Direito Privado (FEDP), caracterizadas como “novos” modelos de gestão para a melhoria do setor público; mas que são, na verdade, uma “nova” roupagem para as terceirizações e privatizações do setor público, desresponsabilizando o Estado de mais uma de suas funções.
Em 2008, o governo do estado de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 62/08, que prevê a gestão dos centros e saúde e dos hospitais universitários com base nas Organizações Sociais (OS). As OS são definidas como “pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, voltadas a atividades de relevante valor social, que independem de concessão ou permissão do Poder Público, criadas por iniciativa de particulares segundo modelo previsto em lei, reconhecidas, fiscalizadas e fomentadas pelo Estado”. Percebe-se, portanto, que, mais uma vez, o Estado se desresponsabiliza de sua função de administrar o bem público, terceirizando esse serviço e privatizando-o.
É importante lembrar que esses dois projetos estão sendo amplamente debatidos aqui na cidade de Campinas como proposta de alternativa à administração direta de todo o complexo de saúde da cidade (desde a atenção primária até os níveis mais especializados), sendo que no ano passado, em 2011, essa foi uma pauta que unificou todos aqueles que divergem dessas alternativas, por entender que precarizam o trabalho, terceirizando o serviço.
A proposta de autarquização não foge dessa política de desresponsabilização do poder público e da lógica privatizante pela qual o Estado brasileiro opta: mesmo sendo uma administração pública, a autarquia permite que seja criada uma Fundação de Apoio para gerir a administração do complexo de saúde.
A instalação  de  uma  fundação  na  área  de  saúde  da  UNICAMP  (que  seria diferente da FUNCAMP) representa a inserção da lógica privada no serviço público e na universidade, já que esta  não precisa necessariamente prestar serviços somente ao bem público; pode prestar serviços a entidades privadas, dar consultorias, atuar como intermediária na contratação de funcionários para o serviço público (em regime CLT, com precarização do trabalho e maior exploração dos trabalhadores)  e fazer compras destinadas  ao  serviço  publico  sem  licitação,  dentre  muitas  outras  atuações  que  a caracterizam como um modelo privatizante de administração.
Além de permitir a instalação de uma fundação de apoio, a autarquia pode proporcionar muitas alternativas que ferem o principio de saúde que o próprio Sistema Único de Saúde defende: uma saúde pública, universal, gratuita, equânime, integral com controle social, sendo um direito de todo cidadão e de dever do Estado proporcioná- la. A desvinculação do complexo hospitalar da universidade, permite que sejam feitas parcerias com entidades privadas para a venda de campos de estágio dentro do hospital (ferindo a autonomia universitária), convênios com empresas para a venda de consultas (a  famosa  “dupla-porta”)  e  fim  do  controle  social  (capacidade  de  intervenção  da população nas decisões relacionadas à saúde).
Deve-se perceber, conseqüentemente, que o problema de subfinanciamento da área de saúde da UNICAMP não acontece de maneira isolada: ela é conseqüência da precarização que as universidades públicas vêm sofrendo por parte do Estado.
Devemos lutar por mais verbas para o hospital, mas essa luta não é desvinculada da luta por mais verbas para a educação, para a cultura, para o transporte, para a moradia, etc. O financiamento do complexo hospitalar  por  meio  da  inserção  da  iniciativa  privada  não  resolverá  o  processo  de precarização que o ensino superior público vem sofrendo e, por isso, não resolverá os problemas que vêm surgindo cada dia mais nas nossas universidades. Pelo contrário, intensificará ainda mais a precarização das relações de trabalho.

Devemos nos posicionar contra a autarquização da área de saúde da UNICAMP, pois somos favoráveis a um sistema de saúde 100% público, universal e gratuito, com administração pública e sem terceirizações ou privatizações do mesmo. Nesse sentido, estamos ajudando na construção e organização de um núcleo do Fórum Popular de Saúde em Campinas, objetivando unir forçar para resistir a mais essa investida contra os trabalhadores da cidade!

Marcelo Lopes –
militante do PCB e estudante de Medicina na UNICAMP

terça-feira, 20 de março de 2012

Poeta colombiana Angye Gaona: acusada de liberdade!





            Em janeiro de 2011, a poeta colombiana Angye Gaona voltava de uma viagem para a Venezuela quando foi presa pela polícia da Colômbia acusada absurdamente de “narcotráfico” e “rebelião”. Durante longos 4 meses, mesmo sem provas, permaneceu encarcerada. Vencido o prazo máximo para seu julgamento, Angye teve que ser posta em liberdade. Mas agora, no dia 23 de janeiro de 2012, ela e mais 3 pessoas começaram a ser injustamente julgadas e correm o risco de pegar até 20 anos de prisão.
           
O terrorismo de Estado na Colômbia
            Há na Colômbia pelo menos 7.500 presos políticos: 90% de civis (sindicalistas, jornalistas, acadêmicos, estudantes, ambientalistas, camponeses) e apenas 10% de membros das FARC. Dados oficiais da Defensoria do Povo, vinculado ao Ministério Público da Colômbia, reconhecem que há 61.604 pessoas “desaparecidas” nos últimos 20 anos, sendo que mais 16.655 ainda não receberam esse status, pois desapareceram há “pouco tempo” (os números estimados pelos movimentos são bem maiores). Em 2010, a Central Unitária dos Trabalhadores da Colômbia denunciou que, em 10 anos, 2.778 sindicalistas foram assassinados, ou seja, 60% dos sindicalistas assassinados no mundo. São comuns as práticas de tortura e assassinatos exemplares praticados pelo exército e pelas milícias de paramilitares que são incentivadas e acobertadas pelo governo. Recentemente, foi encontrada bem atrás da força militar Omega (menina-dos-olhos do Plano Colômbia), a maior cova comum do continente com 2000 corpos de “desaparecidos”.
            Os números indicam um novo recorde macabro na América: a “democracia” colombiana tem destruído mais vidas que as ditaduras do Chile e da Argentina juntas (as duas mais sangrentas!).

“E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.”
            O terror de Estado na Colômbia tem intimidado a população que se cala para não ser presa ou morrer. Angye Gaona, ao contrário,  vem se posicionando publicamente a favor da luta dos trabalhadores, estudantes e dos milhares de presos políticos. Angye, artista de intensa atividade cultural, faz de sua poesia e de sua arte uma arma de luta e esperança para todos que desejam afirmar a vida na Colômbia.
            Para garantir a liberdade de Angye e dos demais presos políticos é preciso uma campanha internacional que denuncie o terrorismo de Estado colombiano. Calar diante da situação colombiana é aceitar, indiretamente, que o mesmo ocorra no Brasil. É visível, nos últimos anos, o crescente desrespeito aos direitos humanos no Brasil que se manifesta mais claramente nas ações policiais e militares em morros, nas periferias, nas universidades e nas desocupações. É preciso forjar, apesar das dificuldades, a unidade de luta latinoamericana, pois um fantasma ronda a América... e, infelizmente, não parece ser o do comunismo.
           
Para saber como lutar pela liberdade de Angye Gaona visite o site:

Jefferson Vasques
Poeta e militante

(fonte de informações: Agenda Colômbia-Brasil, importante frente de denúncia no Brasil da situação da Colômbia http://agendacolombiabrasil.blogspot.com/)

 
Ato político-cultural
“Poeta Angye Gaona Livre!
Não mais presos políticos na Colômbia”

Dia 14 de abril das 18h às 21h
no ECLA (Espaço Cultural Latino-americano)
Rua Abolição, 244 (1º andar) – Bixiga – São Paulo
(com a participação de Angye Gaona via teleconferência)




TECIDO BRANDO
(Angye Gaona, tradução de Jefferson Vasques)

Calma e tino, te digo, peito brando.
Não queiras conter toda a água dos mares.
Toma uns litros de ondas bravas,
de espuma fera.
Deixa que se encrespe dentro de ti,
cavalo afrontado,
mas não domes esta água
que o tempo a requer viva
e pulsante.
Respira e prepara-te, peito brando.
Não queiras conter todo o ar dos abismos,
toma só o de tua pequena inspiração,
o acaricie por instantes,
o sussurre como se ao último alento
e o deixe livre ir ali,
aonde tu também querias:
vasto, imenso, indistinto.
Sopra forte o que guardas.
Não recolhas mais lágrimas, peito brando.
E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.
Que não é tempo de guardar a ira, te digo.
É momento de forjar e fazer luzir
o fio da navalha.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Nota do PCB sobre a repressão da polícia e o aumento do salário dos vereadores

O PCB, Partido Comunista Brasileiro, vem a público novamente para repudiar, ainda mais veementemente do que no momento anterior, a aprovação do aumento em 126 % nos salários dos vereadores de Campinas, realizada no dia 12/12/2011.

No processo de votação os vereadores não se intimidaram com a presença dos diversos manifestantes contrários a esta proposta, realizando manobra política para aprovação dos próprios interesses. O placar da votação foi vergonhoso: 28 votos à favor, 2 votos contra, 2 ausentes e a não manifestação do presidente da Câmara, autor da proposta.

            Apesar da forte pressão popular dentro do espaço - cerca de 200 pessoas, os vereadores ignoraram completamente a população que só percebeu que o item de aumento dos salários estava em pauta quando já tinha sido anunciado sua aprovação. Houve uma intensa indignação por parte dos presentes que se manifestaram aos gritos: "Vergonha". E quando alguns manifestantes jogaram alguns ovos nos vereadores, sem sequer acertá-los, a pancadaria por parte da Guarda Municipal (GM) começou.

            A truculenta, despreparada GM se utilizou de tudo que pôde: empurrões, cassetetes, gás de pimenta e pistola de choque elétrico. Os gritos ecoaram no salão dos reis vereadores. Homens e mulheres vitimados pela violência policial. O comandante da Guarda Municipal, quando questionado sobre o exagero da corporação, ainda declarou com sua cara de pau inigualável  dizendo que " a GM usou a força necessária para conter o atirador de ovos que atacou os vereadores". Arremesso de ovos podem levar à UTI? À lesões irreparáveis? À morte?

            O PCB condena essa demonstração de força brutal do agente repressor do Estado burguês, representado pela Guarda Municipal de Campinas, que feriu várias pessoas e prendeu um manifestante. Isso só demonstra que qualquer tipo de manifestação será reprimida por aqueles que dizem fazer a nossa segurança.

            Cabe ressaltar ainda que, ao mesmo tempo da proposta de aumento em 126 % dos vereadores pilantras, o orçamento municipal da Assistência Social foi proposto para cair 45,31%. Isto é, os luxos dos parlamentares são mais importantes que o apoio a quem mais tem necessidade. Sem contar que a proposta de reduzir as verbas dos gabinetes dos vereadores - para tentar compensar os aumentos extraordinários, não é concreta e ainda não tem nem mesmo data marcada para votação. Também ainda não se sabe se tais cortes serão nas regalias dos ilustríssimos vereadores ou se serão desempregando trabalhadores dos gabinetes.

                          Segue os nomes dos vereadores que votaram a favor do projeto:



Antonio Flôres, Arly de Lara, Dr. Élcio Batista, Sebá Torres (PSB), Artur Orsi, Gilberto Cardoso, Luiz Cirilo, Valdir Terrazan (PSDB),  Aurélio Cláudio, Leonice da Paz (PDT) Campos Filho, Professor Alberto (DEM), Cidão Santos (PPS), Dário Saadi, Francisco Sellin, Zé Carlos, Peterson Prado (PMDB), Jaírson Canário, Josias Lech (PT) Jorge Schneider, Thiago Ferrari, Tadeu Marcos (PTB), Miguel Arcanjo, Paulo Oya (PSC), Rafa Zimbaldi (PP) Sérgio Benassi (PCdoB), Vicente Carvalho, Zé do Gelo (PV), Zé Cunhado (PP)

Abaixo os 126 % de aumento!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nota do PCB sobre a proposta de aumento do salário de vereadores de Campinas

             O PCB vem a público repudiar veementemente a proposta de reajuste de 126% dos salários dos vereadores de Campinas, que faria com que os atuais R$6.636,24 fossem para R$ 15 mil.

             O valor por si só é uma afronta à renda familiar per capita de cerca de 50% da população brasileira, que vive com míseros R$375. Ou seja, tomando como exemplo uma família de 5 pessoas, se todos trabalharem – inclusive os filhos - a soma do que todos os membros da família recebem é de R$1.875. O valor proposto pelos vereadores é 8 vezes isso e 27,5 vezes maior que o salário mínimo vigente, o qual sofreu um aumento menor que 7% em relação a 2010!

            A proposta oportunista formulada pelo vereador Pedro Serafim (PDT) não pára por aí. Enquanto o salário mínimo atual tem o mesmo valor real do salário mínimo de 1985, os vereadores tem a “coragem” de afirmar que o reajuste é legal, dado que o salário de vereadores em cidades com mais de 500 mil habitantes podem chegar a 75% do salário de um deputado estadual. Como se os salários dos deputados fosse parâmetro de comparação e como se estes não usassem da mesma liberdade desonesta dos vereadores de Campinas de aumentar os próprios salários!

            Além dos absurdos acima, o vereador faz uso de meias verdades e manipula a situação afirmando, por exemplo, que não haverá ônus aos cofres públicospois serão cortados gastos das verbas dos gabinetes. A pergunta é, por que então não se corta a verba de gabinete, mantém-se o reajuste conforme a inflação e aplica-se os quase meio milhão de reais economizados em áreas prioritárias à classe trabalhadora, como saúde e educação?

            Seguindo a série de artimanhas argumentativas, o vereador Pedro Serafim afirma que “sem um salário atrativo no cargo, não há pessoas de expressão na sociedade que desejem ocupar uma cadeira na Câmara”. O PCB acredita que se as tais “pessoas de expressão” forem os já ricos e poderosos capitalistas da região, as condições de vida da classe trabalhadora campineira irão se degradar, visto que só defenderão os interesses de sua classe dominante, a burguesia. Lembremos que os deputados federais representantes dessa classe aprovaram o insignificante aumento do salário mínimo neste ano, fato que agrada e muito aos patrões e empregadores.

            Fora os argumentos não convincentes utilizados pelo excelentíssimo vereador, fato que chama a atenção é que a última sessão ordinária da câmara de vereadores este ano se dará no dia 14 de dezembro e a votação do aumento no dia 12. Ou seja, votações de interesses particulares que incitam desconfianças  são feitas às pressas, sem nenhuma participação popular, numa das últimas sessões do ano!

             Devemos recordar que na nossa cidade vizinha Americana a proposta, mais modesta que a dos vereadores de Campinas, de um aumento de quase 60% foi rechaçada pela população que foi às ruas e mostrou sua revolta, fazendo com que os vereadores revogassem o extraordinário reajuste. Após forte pressão popular, em um plenário lotado de manifestantes com nariz de palhaço, foi aprovado um reajuste de 0% para os vereadores daquele município.

             Portanto, o PCB aponta a necessidade de uma participação política ativa, determinada e organizada de toda a classe trabalhadora campineira, assim como ocorreu em Americana e nos recentes episódios de corrupção do alto escalão da prefeitura de Campinas, culminando na cassação do ex-prefeito Dr. Hélio, também do PDT. Que esta mobilização e demonstração de força novamente se expressem!
 
 
Abaixo os 126% de aumento!


Viva a classe trabalhadora!

Vereadores votarão hoje aumento salarial de 126% em Campinas

Breve resposta ao vídeo Tempestade em Copo d'água

Por Leandro Costa Ferreira Gomes


É triste que a argumentação se dê somente em cima de argumentos técnicos, fugindo de qualquer debate sobre quais sejam os reais interesses sendo atendidos com a construção dessa obra e passando por cima de qualquer consideração sobre os povos indígenas e ribeirinhos, afinal floresta é floreste né, joga eles em algum outro canto e tá resolvido. Não ouvi sequer a palavra alumínio, alcoa, alumar, alunorte, vale do rio doce ou outras eletro-intensivas como suzano, cemig, usiminas, votorantim e por aí vai, para não falar na odebrecht. Mas é só porque faltou tempo, o estúdio tava muito caro.

Não vi o vídeo citar nada sobre todos os atropelos jurídicos e constitucionais para construção da obra às pressas, nenhuma explicação sobre o porque o custo da obra ter subido de 10bi em 2001 para 30 em 2011 (isso na melhor das situações que li, há quem fale da obra ter saído de 4.5bi em 2006 e ter atingido o valor atual). Só para se ter uma idéia, a usina de três gargantas na china, a maior do mundo em capacidade instalada, com 20.3GW de potência instalada e QUASE O DOBRO de Belo Monte custou cerca de US$23, uns 35bi de reais. Acontece que, além de ter quase o dobro de capacidade instalada e da barragem em si ser bem maior, eles tiveram os custos de realocar 1.3 milhões de pessoas, custo incluído no valor acima, preciso falar nada né...
 
Também não vi eles falarem de todos os problemas que o canteiro de obras trás à cidade que o recebe como aumento da violência, de doenças, da prostituição e que só tende a piorar com o término da obra já que esses caras vão ser deixados à própria sorte. Eles também falam de compensações sociais e já "esqueceram" que cerca de 150 trabalhadores já foram demitidos por reivindicar melhores condições de trabalho, e olha que a obra mal começou. Parece que o mito do progresso e desenvolvimento andou ludibriando-os, pena que a única coisa que progride com essa obra é a mentalidade colonial de país exportador de matéria prima.


Também tiram dados da cartola... ou fugiram da escola...supondo que a geração anual que eles citaram, 100bi de kWh esteja certa, usando o valor que nós, usuários residenciais pagamos (que diga-se de passagem é o mais caro), algo em torno de 40 centavos o kWh daria 40bi, frisa-se, de receita bruta. Acontece que o valor da energia vendida no "livre mercado" de energia (livre para quem pode negociar livremente) é estupidamente inferior à isso. Para se ter uma idéia, a vale renovou seu contrato de compra de energia ao preço médio de US$18,00 o MWh até 2024 no MWh, ou seja, cerca de 3 centavos o kWh. Aliás, que diferença em relação ao que nós pagamos (e se alguém pagar o mesmo preço que paga hoje até 2024me avisa que quero saber de onde compra)! Ah... as perdas em transmissão em cerca de 15% para trazer para o sudeste e/ou nordeste também não costumam entrar no balanço...pra não falar nas obras bilionárias dos troncos de transmissão que incluem não apenas as linhas, mas as estações conversoras do HVDC e muita grana pra ABB.


"Esqueceram" de falar, ou as fontes que eles repetiram, não lhes falou das 4 usinas rio acima que vão matar de vez o rio Xingu e que o fato de gerar pouco em alguns períodos do ano servirá de justificativa para construção das seguintes, já que a vazão do rio será "regulada". Bom, tem as outras grandes obras na Amazônia como a UHE de São Luís de Tapajós e a Teles Pires, já em avançado processo de negociação.


Pra finalizar, acho que o pessoal da economia fugiu da aula de juros composto e o pessoal da civil não entendeu muito bem a função exponencial, que dizer do logaritmo. Vamos aqui fazer alguns cálculos simples, só para ilustração: pensando numa correlação entre crescimento econômico e aumento da capacidade instalada de energia em 1 para 1, ou seja, crescemos 1% do pib e aumentamos em 1% a capacidade instalada. Agora, tomando a prospecção de que o potencial hidráulico na região amazônica é de cerca de 200GW, cerca do dobro atualmente instalado e que vamos crescer no limiar dos economistas de 3% ao ano, em apenas 37 anos já engolimos uma bacia amazônica. Ou seja, demoramos 500 anos para chegar a 100GW instalados e em 40 chegaremos a 200! E pensar que a China tem 900GW instalados e quer chegar a 2020 com 2000GW, vamos ter que fazer um gasoduto do Sol pra Terra pra trazer hidrogênio!


Enfim, se não morrer de raiva ou de infarto vendo isso, acho que vou ter que assistir aos outros 77 vídeos das próximas obras planejadas para a região amazônica e quizá de alguma ou outra nuclear instalada na porta da minha casa.


Pra finalizar uma citação:
"Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist." Kenneth Boulding, economista


A crítica desse texto refere-se ao vídeo abaixo: